Tendências de SPA's por classificação temática: SPA Aventura



Como seria elaborar um projeto de um SPA montado em locais que ofereçam programas de esportes radicais e de aventuras junto à natureza como rappel, rafting, canoagem, trilhas, montanhismo, caminhadas, escaladas, entre outras?

Existem cada vez mais adeptos ao contato com a natureza, ­pessoas que buscam locais onde possam realizar atividades ao ar livre, em paisagens de beleza natural como montanhas cobertas por mata ou por neve, regiões áridas e desérticas, vales com rios caudalosos e imensas quedas d’água com águas cristalinas ou cachoeiras que sozinhas já se tornam um grande atrativo para se tornarem ambientes interessantes para a criação de um SPA. Há também o sedutor atrativo de belas praias, ilhas e manguezais, areias brancas, pedras imensas, pássaros sobrevoando ondas em busca de alimento, golfinhos desafiando os melhores surfistas, acompanhando-os, no ato de pegar uma onda. Enfim, climas e ambientes que podem ser agregados a um empreendimento de SPA, conjugando diversas terapias e serviços com as riquezas que a natureza oferece. Tudo isto compõe uma variedade paisagística e ambiental que proporciona a possibilidade de prática de diversos esportes, dos moderados aos mais radicais, mas sempre em contato íntimo e interagindo com a natureza.

Em locais onde se pratica o montanhismo, tem se instalado serviços de SPAs em hotéis e pousadas com programas específicos de condicionamen­to físico, musculação, escaladas por paredes artificiais para treinar força e garra nas mãos, punhos e braços, caminhadas dirigidas proporcionando força muscular, e também aulas de yoga para aprender a arte de respirar bem, o controle da mente e do corpo, e melhorar a resistência. Como se vê, não basta desenvolver o aspecto físico; para praticar esportes radicais, é necessário preparo mental e espiritual, pois escalar ou subir uma ­montanha, segundo especialistas, pode levar ao caminho do autoconhecimento, com trilhas internas que levam ao coração. Subir uma montanha desde o vale até seu pico exige muita concentração e pleno conhecimento das potencia­lidades corporais e do local onde se vai caminhar ou escalar (por isso a necessidade de guias nos hotéis), mas tudo isso, aliado ao contato com a natureza, faz com que seja uma experiência bastante gratificante, agradável e única.

A afirmação “Cada um realiza sua caminhada, ninguém caminha por ti”, é válida tanto no plano físico, como no espiritual, como atesta uma bela frase do francês Gaston Rebuffat, guia de montanha na década de 1940: “ O montanhista é uma pessoa que conduz seu corpo para onde um dia se fixaram seus olhos e depois regressa”. Este é um tipo de esporte que exige muita capacidade física e respiratória, e muitas vezes, no regresso, a sensação de exaustão é grande. Nesses casos, a experiência comprova que relaxar nas mãos de um shiatsu-terapeuta pode soltar contraturas e aliviar dores ocasionadas pelo esforço realizado e é a melhor pedida, auxiliando ainda a repor as energias gastas e permitindo condições para um repouso e sono reparadores.

O que se pode perceber é que os serviços de SPA nos locais que oferecem esportes mais radicais vêm sendo procurados como um complemento e uma necessidade por esses spazianos com gosto por aventuras. SPA alternativo ou adventure são conceitos que se impõe no contexto dos hotéis e pousadas de forma gradual mas definitiva, pois o surgimento do turismo holístico e o avanço de filosofias e teorias ambientalistas contemporâneas está levando ao que se pode chamar de revolução comportamental, com tendências ao naturalismo, ao ecoturismo, e ao também denominado turismo alternativo.

Aprecio muito particularmente essa nova tendência de respeito à natureza, pois lembro com tristeza que durante visita ao Vale Sagrado e à cidade de Machu Picchu, vi o lixo sendo deixado nas encostas e trilhas, reve­lando total falta de respeito e cuidados por parte dos visitantes em locais que são considerados sagrados. Em alguns países da Europa, este mesmo quadro repetiu-se, o que leva à constatação de que o apogeu do turismo de massas ocorrido nos anos de 1970 gerou muitos impactos nos locais de grande beleza e importância histórica, degradando o patrimônio histórico e cultural da humanidade. E essa depredação do patrimônio é uma das facetas do que o turismo sem consciência pode promover.

É realmente desolador perceber a violação de lugares sagrados, mas felizmente o que se observa é que novos conceitos e posturas de desenvol­vimento do turismo, bastante influenciados pelo ambientalismo, vêm surgindo e impondo-se. Como exemplo, podemos citar o soft tourism, nos destinos europeus, com propostas de desenvolvimento turístico em bases social e ambientalmente responsáveis e equilibradas.

As pessoas têm investido cada vez mais seu tempo de lazer viajando para regiões longínquas e exóticas à procura de descobertas e experiências inéditas. ­Todavia, não abrem mão do conforto e do aparato tecnológico que as agências de turismo oferecem, buscando hospedagem e acomodações que tragam além do conforto, experiências e cuidados com o corpo, a mente e o espírito.

Nesse sentido, é importante que as agências de turismo estejam ­abertas a todo tipo de clientes, pois há aqueles não tão aficionados em serem “ecoturistas”, mas exigem e gostam de certos cuidados como caminhadas mais curtas e com menor esforço, informações mais suaves e generalistas proporcionadas pela comunicação visual, trilhas interpretativas e não tão longas e extenuantes, e serviço de animação turística em hotéis confortáveis. O interesse prioritário desse tipo de turista não é estudar a natureza ou integrar-se plenamente a ela, mas poder curtir, ao final do dia, os serviços de um SPA totalmente ecológico com propostas de terapias alternativas e holísticas.


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